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História

Pinto Bandeira – Síntese Histórica
 

O fenômeno migratório europeu ao território americano que caracteriza o final do século XIX e o início do século XX está ligado a transformações sociais, políticas e econômicas da época em ambos os continentes.

No que diz respeito à imigração italiana ao sul o Brasil pode-se afirmar que, na Itália, a população experimentava as consequências da revolução industrial, caracterizada pelos altos impostos e pelo desemprego e, no Brasil, mais especificamente no Rio Grande do Sul, onde a maior parte do território era desabitada e a mão-de-obra era basicamente escrava, a imigração representava a real possibilidade de superação de tais problemas.

O porto de Gênova, ao norte da Itália, era o local da partida. A travessia, que durava pouco mais de um mês, era feita em navios sobrecarregados. Chegavam ao Rio de Janeiro e, após a quarentena na Casa dos Imigrantes, os viajantes eram transportados a vapores até Porto Alegre, numa viagem de mais ou menos dez dias. Ao chegarem eram alojados em construções precárias ou dormiam nas ruas e praças próximas ao porto. Da capital gaúcha seguiam em pequenas embarcações para Montenegro, São Sebastião do Caí e Rio Pardo. A viagem até a serra era feita em dois ou três dias, a pé, no lombo de cavalos ou em carretas, através de estreitos caminhos abertos, por eles mesmos, na densa mata.

No ano de 1876 instala-se em Pinto Bandeira o primeiro grupo de italianos. De posse de seus lotes e instrumentos de trabalho, separados das famílias vizinhas pela densa mata, era necessário enfrentar as adversidades: iniciar o desmatamento, construir a provisória casa e realizar os primeiros plantios. Até o ano de 1880, vários grupos chegaram ocupando terras localizadas na Linha Jansen, na Linha Jacinto e na Linha Silva Pinto, hoje Linha Anunciata.

Consigo, além de muita disposição para o trabalho, trouxeram profundo sentimento de religiosidade e fé. Inicialmente, sem um local comum para as celebrações, reuniam-se sob uma árvore ou numa das casas para recitar o santo rosário. Após a oração faziam o filó e festejavam a vida.

Em 1º de maio de 1902, o senhor Antônio Joaquim Marques de Carvalho Júnior, Intendente do município de Bento Gonçalves, em conformidade com o artigo 14 da Lei Orgânica Municipal, decretou a mudança do nome da localidade. A partir desta data, de Silva Pinto passa a chamar-se Nova Pompeia.

Pelo Ato Municipal nº 4, de 15 de janeiro de 1913, Nova Pompeia foi elevada à condição de distrito de Bento Gonçalves tendo como primeiro subprefeito o senhor Lívio Arpini. Neste mesmo ano também foi instalado o cartório, sendo o senhor Cristóvão Luzzatto o primeiro titular.

O nome Nova Pompeia foi alterado para Pinto Bandeira pelo Decreto nº 7.842, de 30 de junho de 1938, quando às vésperas da deflagração da Segunda Guerra Mundial, foi proibida a língua italiana no país e, consequentemente, todos os nomes de origem italiana foram abolidos. Assim, em homenagem ao militar rio-grandense Rafael Pinto Bandeira, o distrito passa a denominar-se Pinto Bandeira.

Pinto Bandeira foi emancipado de Bento Gonçalves em 16 de abril de 1996 pela Lei Estadual nº 10.749/1996. As primeiras eleições ocorreram em 1° de outubro de 2000, elegendo como prefeito o senhor Severino João Pavan. A instalação do Município deu-se em 1º de janeiro de 2001. Em 2003, uma liminar do STF, determinou a que Pinto Bandeira retornasse à condição de distrito de Bento Gonçalves.

Em 30 de junho de 2010, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a localidade recuperou novamente sua autonomia política. As eleições municipais aconteceram em 07 de outubro de 2012. O senhor João Feliciano Menezes Pizzio foi eleito prefeito. Em 1º de janeiro de 2013, o Município foi reinstalado.

Fatos marcantes no Município

No ano de 1913 foi instalado o Cartório, como primeiro escrivão o Sr. Cristóvão Luzzatto, em 1925 um misterioso incêndio fez com que fosse destruído o local e se perdesse muitos documentos importantes.

A linha telefônica entre Nova Pompeia e Bento Gonçalves, foi inaugurado em 1913, até 1962 existia um único telefone que pertencia ao Sr. Henrique Baldisserotto,  muitas famílias faziam uso para comunicar-se com seus parentes.

Em 1918 foi criada a primeira banda do Município, com muitas dificuldades da época a banda resistiu por um tempo, sendo dirigida por Gregório Pegoraro, a mesma foi extinta em 1945. Ao longo dos tempos várias bandas foram criadas no município, em destaque a Banda Maria Alves.

Naquela época a comunicação era bem diferente da atual. A carta era o meio do qual as pessoas dispunham para comunicarem-se. Em 18 de abril de 1910 foi criada a Agência dos Correios em Pinto Bandeira e, junto, foi instituída também uma linha postal para transporte de malas. A linha era feita a cavalo.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) em Pinto Bandeira e outros locais do Brasil, ficou proibido falar o italiano e também outras línguas como Polonês, Japonês e Alemão. Vivíamos o Estado Novo de Getúlio Vargas, o Brasil entrou na guerra ao lado dos Aliados, declarando guerra contra a Alemanha.  Na época muitos que viviam no município não sabiam falar português e estes foram presos devido a falar italiano.

A luz elétrica, outro marco importante na história local, chegou em 1922. Para celebrar uma festa grandiosa foi realizada. A partir daquele momento em algumas residências o lampião não tinha mais serventia.

A primeira linha de transportes de Nova Pompeia-Bento Gonçalves, foi criada em 1936, sendo proprietário o senhor Giácomo Rigatto, possibilitando às pessoas outra opção de deslocamento além do cavalo e carroça. Posteriormente, a linha foi adquirida por Ângelo Nichetti. Na época as estradas eram péssimas, quando chovia a estrada virava barro, se era tempo seco era somente poeira era uma aventura transitar na época.

O primeiro rádio só chegou na década de 40, quem teve o primeiro aparelho foi o velho Troglio.

Nos anos 40 e 50 uma doença matou muitos moradores do município, o Tifo (é o nome genérico de várias doenças infectocontagiosas causadas por bactérias do gênero Rickettsias.). A doença se alastrou pois na época não existiam medidas preventivas de higiene e sanitárias em Pinto Bandeira. Os mais antigos relatam que os corpos eram colocados em caixões com cal, pois não existiam explicações ou conhecimentos medicinais avançados sobre a doença.

A água foi também um problema nos primeiros tempos. A busca por poço artesanal era grande. Em 1968, no centro da Praça da Matriz, iniciou a perfuração de um poço e segundo informações da época, doze dias depois foi encontrada água. Uma bomba nova foi colocada em outubro de 1969 e posteriormente foram feitas as linhas mestras e as ligações domiciliares. Em 1975 foi construído um novo reservatório e maior para abastecer o local. Hoje o mesmo está desativado.

O Município foi muito reconhecido também devido ao Coral Pinto Bandeira criado em 1971. Tendo participações em vários eventos e programas de TV. Até hoje existente e muito ativo em eventos do município.

No ano de 1973 foi instituído a colocação da numeração nas casas.

Com o passar do tempo as ruas foram sendo melhoradas, a primeira a receber calçamento foi a Sete de Setembro, principal rua do município. A obra foi inaugurada em 12 de outubro de 1974. Aproximadamente foi calçado do atual Banrisul até o Mercado Tumelero.

Desde o início da colonização, várias pessoas se descolocavam de suas casas para a sede da vila, passando o dia todo negociando produtos para vender ou comprar. Como as viagens eram demoradas e os veículos e estradas nada iguais aos atuais, muitos ficavam para almoçar, já que na sede existiam as casas de pastos. Com o passar dos anos elas evoluíram para hotéis, onde veranistas vinham e desfrutavam da boa comida, além de apreciar as belezas e frutas de Pinto Bandeira. O período de maior fluxo era entre dezembro e março onde podiam apreciar a colheita da uva e adquirir produtos coloniais. Os hotéis que tinham em destaque no Município foram Hotel Luzzato, Hotel Antoniolli e Hotel Nichetti, este foi destruído pelo fogo em 13 de março de 1969.  Além destes hotéis onde funcionou o Hotel Luzzatto também funcionou o hotel administrado pela família Afonso e Marmentini. E anterior ao período havia em Pinto Bandeira hotel da família de Luigi Cé (1899 – 1915), Livio Maria Arpini (1905-1925) e de Giacomo Pellicioli (1920-1930).

As eleições de 1930 além de serem polêmicas devido a vitória de Júlio Prestes e ao golpe deferido por Getúlio Vargas e militares. O distrito de Nova Pompéia viveria uma cena de faroeste. Na manhã das eleições, Francisco Sanches mais conhecido como “Paco” um bandoleiro da Serra, teria ido votar e segundo informações sobre o fato o único que ficou na sala foi o Professor José Pansera.Os demais, com medo saíram do local. Ao finalizar seu voto, teria se envolvido em uma briga com João Nunes. Os dois trocaram tiros e lutando até o momento que um dos que assistiam gritou: “Compadre, a faquinha”. Paco a pegou e começou a golpear o opositor, fugindo em seguida.

Em Pinto Bandeira em anos anteriores já existiu, casa de secos e molhados, moinho de trigo, milho e arroz, sapateiro, ferreiro, fabricação de caixões de mortos e móveis, trabalho com couro, fábrica de queijo, de marmelada, vinícola, alambique, matadouro.